O futebol brasileiro vive momentos em que muita coisa boa acontece — talentos surgem, clubes inovam — mas também enfrenta crises culturais e de postura. O episódio recente protagonizado por Leão e Oswaldo de Oliveira, dois nomes históricos do nosso futebol, serve como exemplo de que nem sempre os ícones esportivos escapam de deslizes públicos.
O que foi dito
Durante o 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, promovido pela CBF, ambos fizeram declarações contundentes sobre a presença de técnicos estrangeiros no Brasil.
- Leão afirmou:“Eu sempre disse que eu não gosto de treinadores estrangeiros no meu país … Antes eu falava que eu não suportava, não suportaria treinadores (estrangeiros). … Você sabe que eu já falei isso, né Zé?” , se dirigindo a Zé Mario, ex treinador e jogador.
- Oswaldo de Oliveira, por sua vez, também declarou: “Depois que ele for embora, campeão do mundo, que venha um brasileiro.”
E em outras palavras:
“Brasil não precisa de técnicos estrangeiros… chegam aqui e metem o pé na porta.”
Por que é deselegante e problemático
Há pelo menos três aspectos que tornam o episódio desconfortável:
- Desrespeito à diversidade profissional
No futebol globalizado, técnicos de diferentes nacionalidades trazem ideias, métodos e abordagens que enriquecem o esporte. Fechar a porta para “os de fora” — especialmente com tom pejorativo — coloca em segundo plano o mérito técnico e promove a discriminação. - Autoridade questionável
Leão e Oswaldo foram figuras importantes no futebol brasileiro, sim — mas isso não os isenta de responsabilidade ao fazer julgamentos públicos. Quando pessoas com peso no futebol nacional falam assim, contribuem para polarização e divisão, em vez de promover o diálogo. - Imagem do Brasil e da CBF
A declaração não atinge somente o técnico estrangeiro eventual, mas reflete na imagem da seleção, dos clubes e da própria CBF diante do mundo. Quando se adota discurso de “nós contra eles”, perde-se a oportunidade de mostrar um futebol inclusivo, plural e aberto. Leão admitiu que a “invasão” dos gringos tem a ver com a queda de qualidade dos profissionais brasileiros.
O que esperar daqui para frente
Para além das críticas, esse episódio pode servir como ponto de reflexão para o futebol brasileiro:
- A CBF e demais entidades precisam reafirmar um compromisso com o respeito profissional — independentemente de nacionalidade, origem ou estilo.
- Técnicos estrangeiros ou não, devem ser avaliados pelo que fazem dentro das quatro linhas — ideias, resultados, liderança — e não por rótulos.
- Figuras públicas do esporte devem ter consciência da repercussão de suas falas. Um comentário mal colocado pode gerar desconfiança, divisões e até rejeição de torcedores.
Em resumo
A fala de Leão e Oswaldo não é apenas uma tremenda falta de elegância — ela toca em questões de identidade, profissionalismo e imagem internacional do nosso futebol.
Seja como ícones ou comentaristas, Leão e Oswaldo têm direito à opinião — mas não podem escapar da responsabilidade pelas palavras.
O futebol brasileiro, que tanto já encantou o mundo, também merece um ambiente de respeito, abertura e evolução.
Por fim, é hora de questionarmos não só quem fala, mas como falam, e, mais importante, qual legado essas falas deixam para as próximas gerações.
Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.
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