O Flamengo sempre foi um clube de mass, um clube de rua, de barulho, de sol quente na calçada e de paixão que ultrapassa qualquer barreira mas, nos últimos anos, com ingressos cada vez mais caros e estádios cada vez mais elitizados, uma parte importante dessa massa ficou do lado de fora: o torcedor simples, de renda apertada, que ama o Flamengo com a mesma intensidade ou até mais mas que não consegue entrar no Maracanã.
É justamente por isso que o Aerofla se tornou um símbolo tão poderoso.
O que começou como uma recepção para incentivar os jogadores antes de viagens virou algo maior virou o grito dos excluídos, o momento em que o torcedor que não consegue pagar um ingresso encontra um espaço legítimo para demonstrar sua devoção.
Ali, não existe setor norte, leste, oeste ou camarote, existe o povo, existe a senhora que leva o radinho, o garoto com a camisa pirata, o trabalhador que saiu do turno direto para agitar a bandeira na calçada do aeroporto, todos juntos, respirando Flamengo.
No Aerofla, o torcedor canta de graça.
No Aerofla, o torcedor se sente pertencente.
No Aerofla, o Flamengo volta a ser, por algumas horas, aquilo que sempre deveria ser, um clube do povo.
E é por isso que cada fumacinha vermelha e preta, cada bandeirão estendido, cada grito de “Mengo!” ecoa tão forte, não é só apoio ao time é afirmação de identidade, é o torcedor dizendo ao mundo que, mesmo excluído do estádio, ele não será excluído do Flamengo.
O Aerofla é o palco de quem ama sem limitações.
É o Maracanã possível para quem vive o impossível.
Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.
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