Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

A final da Copa Intercontinental, disputada ontem, confirmou um roteiro que o futebol sul-americano conhece bem nos últimos anos., o Flamengo competiu, jogou de igual para igual durante todo o tempo regulamentar e a prorrogação, mas acabou derrotado na decisão por pênaltis, vendo o título ficar novamente com um clube europeu.

O jogo em si foi equilibrado, o Flamengo não se acovardou, não se limitou a se defender e tampouco foi engolido pelo adversário, pelo contrário, disputou posse, pressionou em momentos chave e mostrou organização coletiva, não houve aquele abismo técnico que muitas vezes tentam vender quando colocam sul-americanos contra europeus.

O problema é que finais desse tamanho não se ganham apenas com competitividade, elas se decidem nos detalhes, e é justamente aí que o futebol europeu tem levado vantagem ano após ano. Elenco mais profundo, banco decisivo e, principalmente, frieza nos momentos finais.

A disputa por pênaltis escancarou isso, não se pode perder quatro pênaltis, não é só técnica: é preparo mental, repetição, rotina de decisão, para clubes europeus, esse tipo de jogo virou protocolo, para os sul-americanos, segue sendo exceção e exceções cobram preço alto.

Ainda assim, é importante separar o resultado da análise rasa, o Flamengo não foi inferiornão foi atropelado e não passou vergonha, como alguns gostam de resumir derrotas internacionais, sai de cabeça erguida, mas com a constatação dura: hoje, para vencer a Europa, é preciso fazer o jogo perfeito e torcer para que os detalhes também joguem a favor.

A Copa Intercontinental segue viva justamente por isso, porque mesmo quando o troféu não vem, o confronto expõe verdades incômodas e mantém acesa a discussão sobre o futebol mundial, ontem, mais uma vez, ficou claro: o jogo ainda existe. O problema é o depois do jogo.


Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

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