Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

Existe jogador que assina contrato com prazo e existe jogador que assina contrato com vírgula. No caso de Gerson, a vírgula sempre vem acompanhada de uma mala pronta, um telefone tocando e um discurso ensaiado sobre “novo desafio”.

O roteiro é conhecido, mudam os clubes, mudam os países, mas a história é sempre a mesma: o contrato começa cheio de juras, termina antes do ponto final e acaba substituído por outra proposta “irrecusável”.

Agora, o capítulo da vez envolve o Zenit e a possibilidade de um retorno ao Brasil, com o Cruzeiro surgindo como novo destino ou melhor, como nova estação de passagem.

Porque com Gerson não se fala em projeto. Fala-se em oportunidade, não se discute continuidade. Discute-se vantagem, o futebol, que deveria ser campo, bola e compromisso, vira planilha, cláusula e renegociação.

E no centro de tudo, sempre ele: o pai, o empresário, o conselheiro, o famoso “atleta Marcão. Personagem fixo dessa novela que nunca muda de emissora. É ali, nas entrelinhas das conversas, que os contratos começam a envelhecer rápido demais. O que foi assinado ontem já parece pequeno hoje. O que era suficiente virou desvalorização. O que era palavra vira ruído.

O Zenit, como outros antes, acreditou que dessa vez seria diferente, não foi, o Cruzeiro, agora, observa com expectativa e deveria observar também com cautela. Porque a pergunta nunca é se Gerson joga bola. Isso ele joga, a pergunta é até quando o contrato dura antes da próxima ligação, da próxima “insatisfação”, do próximo “novo ciclo”.

No futebol moderno, fidelidade virou artigo de luxo, mas compromisso ainda deveria ser item básico. Quando não é, o clube vira apenas uma ponte, e o torcedor, espectador de uma carreira guiada menos pelo escudo e mais pela cifra.

Gerson segue andando, os contratos seguem caindo e a história se repete, sempre com a mesma assinatura invisível no rodapé: a do pai, o do negócio, o do “vamos ver o que é melhor pra gente”.

No fim das contas, o problema nunca foi o meio-campo, sempre foi o meio do contrato.

Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

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