📌 Impeachment aprovado pelo Conselho Deliberativo
Na sexta-feira (16/01/2026), o Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou o impeachment de Júlio Casares, afastando-o imediatamente do cargo de presidente do clube. Foram 188 votos favoráveis à destituição.
📌 Por que houve a votação?
O processo de impeachment foi aberto após uma série de problemas políticos e escândalos dentro da gestão de Casares que agravaram sua crise de governabilidade:
- Denúncias de irregularidades envolvendo diretores próximos à sua gestão, incluindo um suposto esquema de comercialização ilegal de camarotes do Morumbi.
- Investigações da Polícia Civil sobre saques e movimentações financeiras do clube, em especial retiradas de valores que somaram cerca de R$ 11 milhões entre 2021 e 2025.
- Pressão crescente de conselheiros e torcedores, que já vinham criticando sua administração e reclamando da falta de resultados consistentes no futebol e da política de vendas de jovens promissores por valores menores do que o esperado.
📌 Reações e contexto entre a torcida
Após a confirmação da votação, torcedores do São Paulo comemoraram o resultado nas imediações do Morumbi, mostrando o nível de insatisfação com a gestão de Casares.
📌 Quem assume agora?
Com o afastamento de Casares, Harry Massis Junior, seu vice-presidente, assumiu a presidência interinamente. A permanência oficial de Massis no cargo depende da ratificação em uma Assembleia Geral de sócios, que deve ocorrer nos próximos dias.
🧠 Contexto da gestão de Júlio Casares
Antes de sua queda, Casares já vinha enfrentando forte oposição interna e externa:
- Sua administração foi marcada por tentativas de equilibrar as finanças do clube, incluindo a venda de jovens jogadores para reduzir déficit, o que desagradou boa parte da torcida.
- A situação se agravou com protestos em jogos, pichações em muros do Morumbi e vaias direcionadas a ele e a membros da diretoria.
🧾 Principais razões formais do processo de impeachment de Júlio Casares
1. Supostas irregularidades financeiras e movimentações atípicas
Um dos pilares do pedido foi a divulgação de movimentações financeiras consideradas suspeitas.
📌 Depósitos pessoais em espécie
Relatórios financeiros apontaram que Casares teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro vivo diretamente em sua conta entre 2023 e maio de 2025, valores realizados em parcelas fracionadas que chamaram atenção, técnica muitas vezes usada para evitar sistemas de alerta financeiro.
📌 Saques em dinheiro das contas do clube
Também foram identificados 35 saques em espécie de contas do São Paulo que somam cerca de R$ 11 milhões no período entre 2021 e 2025 um padrão de operações considerado fora do padrão de governança esperado para clubes desse porte.
👉 A Polícia Civil chegou a abrir um inquérito para apurar essas movimentações e outras possíveis irregularidades aprofundando a investigação sobre gestão temerária e suspeitas de “manobras financeiras de alta sofisticação”.
2. Escândalo do camarote no Morumbi
Outro motivo formal foi a denúncia de um suposto esquema de comercialização irregular de camarotes do estádio Morumbis em dias de show um caso que ganhou destaque em dezembro de 2025.
📌 Um áudio revelado pelo GE indicava que diretores do clube incluindo Mara Casares, diretora feminina e ex-esposa de Julio e outros envolvidos estariam negociando camarotes de forma irregular, o que configuraria uma utilização indevida de patrimônio do clube.
👉 Embora o caso envolva outra pessoa, ele acabou sendo incorporado ao contexto que justifica desconfiança sobre a gestão como um todo e foi citado como um dos elementos que motivaram conselheiros a requererem o impeachment.
3. Críticas à gestão e dívidas crescentes
Além das irregularidades diretas, o grupo de conselheiros que apoiou o impeachment apresentou a percepção de má administração geral do clube como fundamento político e institucional, reforçando que:
🎯 O clube aumentou substancialmente sua dívida sob a gestão de Casares, aproximando-a de níveis críticos.
🎯 Houve críticas sobre vendas de jogadores por valores abaixo do mercado, consideradas prejudiciais ao patrimônio do clube.
🎯 Todas essas situações foram usadas como argumentos de que a continuidade da gestão poderia causar ainda mais prejuízos e desestabilizar a instituição.
4. Procedimento estatutário no clube
O pedido foi formalizado por conselheiros do São Paulo e tramitou pelas instâncias previstas no estatuto do clube:
📌 Primeiro o pedido foi protocolado por um grupo de conselheiros, que solicitaram que a destituição fosse discutida.
📌 O processo então seguiu para votação no Conselho Deliberativo, que depende de um quórum qualificado de votos para aprovar o impeachment.
📊 Resumo dos pontos formais citados no processo
✔️ Supostas movimentações financeiras atípicas e depósitos pessoais em espécie.
✔️ Saques de grandes quantias em dinheiro das contas do clube.
✔️ Escândalo do camarote no Morumbis com envolvimento de diretores.
✔️ Críticas à gestão financeira e maior endividamento do clube.
A queda de Júlio Casares marca mais um capítulo turbulento da política interna do São Paulo. Independentemente dos desdobramentos jurídicos, o episódio escancara a fragilidade da governança do clube e a distância entre a diretoria e a confiança de conselheiros e torcedores. Agora, o desafio do Tricolor é claro: reconstruir credibilidade, reorganizar as finanças e recolocar o futebol como prioridade, para que o São Paulo volte a ser notícia pelo que acontece dentro de campo e não nos bastidores.
Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.
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