Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

Tem jogo que vale três pontos.
E tem jogo que vale o direito de andar na rua de cabeça erguida, de abrir o WhatsApp sem medo, de postar indireta no status e fingir que “nem ligava tanto assim”.

Domingo é Fla-Flu.
E Fla-Flu não é futebol, Fla-Flu é fenômeno social, é guerra fria com sorriso falso, é aquele “bom dia” que vem carregado de ameaça.

Porque o Flamengo pode estar voando, o Fluminense pode estar cambaleando ou o contrário. Não importa. Quando o juiz apita, tudo zera. Some tabela, some momento, some lógica. Fla-Flu é o único lugar onde a razão pede demissão e vai embora sem cumprir aviso prévio.

O Flamengo chega como sempre chega: pressionado pelo próprio tamanho.
Quando ganha, “fez obrigação”.
Quando empata, “foi vergonhoso”.
Quando perde… aí vira crise nacional, coletiva de imprensa, caça às bruxas e o torcedor jurando que “agora acabou”.

O Flamengo não joga apenas contra o Fluminense.
Joga contra a expectativa, contra o peso da camisa e contra aquela mania de achar que o jogo tem que ser resolvido em 15 minutos e se não for, começa o drama.

Do outro lado vem o Fluminense, que entra num Fla-Flu com um espírito diferente.
O Flu entra com aquela cara de quem diz:
“Pode ter favorito, mas eu conheço esse roteiro.”

E conhece mesmo.
Porque o Fluminense tem esse talento: quando ninguém espera nada, ele cresce.
E quando todo mundo acha que vai ser passeio, ele vira pedra no sapato, vira armadilha, vira novela das nove.

É clássico que não precisa de ensaio.
Não precisa de aquecimento.
É só colocar a bola no chão que já começa o teatro: catimba, provocação, falta “sem querer”, empurra-empurra, cartão cedo, e aquele olhar de ódio que não aparece na TV mas que o estádio inteiro sente.

E o mais bonito ou mais trágico é que domingo não vai ser só um jogo.
Vai ser um teste de nervo.

Porque Fla-Flu é assim:
o gol não é só gol. É sentença.
É deboche. É revanche.
É a risada do vizinho atravessando a parede.

Se o Flamengo encaixar o ritmo, acelerar pelos lados e transformar posse em facada, vira aquele inferno: a torcida cresce, o adversário encolhe e a partida vira um “já era” antes dos 30 do primeiro tempo.

Mas se o Fluminense conseguir segurar, amarrar, esfriar, fazer o Flamengo ficar ansioso e começar a cruzar bola na área como quem joga na loteria, aí meu amigo, aí o clássico muda de dono.

Porque quando o Flamengo fica nervoso, ele vira refém de si mesmo.
E o Fluminense adora um jogo assim: feio, truncado, cheio de “quase”, decidido num detalhe ou num erro.

No fim, domingo vai ser isso, um jogo que ninguém quer perder,
um jogo que ninguém aceita empatar,
um jogo que vai ser lembrado até no churrasco de Natal.

E quando acabar, não vai importar se foi bonito ou horroroso, o que vai importar é quem vai poder dizer:

“Ganhei o Fla-Flu.”

E aí eu te pergunto, torcedor:
você está preparado pra esse domingo?
Porque no Fla-Flu, quem pisca primeiro, vira meme.


Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

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