O futebol brasileiro não cansa de provar que memória curta é quase regra e coerência, exceção.
A possível compra de John Arias pelo Palmeiras é mais um capítulo desse roteiro conhecido, mas nem por isso menos simbólico.
Há apenas seis meses, Arias deixava o Fluminense em lágrimas, chorou no gramado, chorou na despedida, chorou no discurso, disse, com a voz embargada, que no Brasil só jogaria no Fluminense. Criou-se ali uma imagem forte: a do jogador identificado, grato, quase eterno. Um desses momentos que a torcida guarda como verdade absoluta.
Mas o futebol não vive de promessas emocionais, vive de contratos, projetos esportivos e cifras. Seis meses depois, o mesmo Arias pode estar pintando de verde, vestindo a camisa do Palmeiras, um rival direto, competitivo, estruturado e sempre pronto para aproveitar oportunidades de mercado.
Não se trata de julgar o jogador. A carreira é curta, as decisões são profissionais e o Palmeiras oferece vitrine, títulos e estabilidade. O problema é o choque entre discurso e realidade. Quando a emoção vira palavra pública, ela cria expectativa. E quando essa expectativa se rompe tão rápido, a frustração vem no mesmo ritmo.
Para o Fluminense, fica a sensação de que o choro foi sincero naquele momento, mas momentâneo. Para o Palmeiras, chega um jogador pronto, decisivo e acostumado a jogos grandes. Para o futebol brasileiro, sobra a velha lição: juras de amor duram até a próxima proposta convincente.
Arias não será o primeiro nem o último. O futebol gira, a bola corre e as camisas mudam. O que fica é a imagem: seis meses depois da promessa, o destino pode estar batendo à porta, agora em verde.
E, desta vez, o Oscar sai das mãos dos Tricolores e pode acabar nas mãos do rival.
Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.
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