Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

  • Em 2025, o Flamengo jogava com os olhos brilhando. Não era só tática. Não era só elenco caro. Era aquela sensação de que o time entrava em campo com fome, fome de bola, de gol, de aplauso, de história. O Maracanã pulsava diferente. A arquibancada cantava antes mesmo do aquecimento terminar. Havia alma.

    Em 2026, ficou a camisa. Mas parece que esqueceram de vestir o espírito.

    O Flamengo deste ano até tem posse de bola. Tem estatística. Tem gráfico bonito no pós-jogo. Mas falta aquela dividida com raiva, aquela pressão sufocante no primeiro minuto, aquele olhar de “aqui quem manda sou eu”. O time toca, roda, gira, mas não fere. É um Flamengo educado demais para quem sempre foi temido.

    A diferença não está apenas nos nomes. Está na atitude.

    Em 2025, quando o jogo emperrava, alguém chamava a responsabilidade, um chute de fora da área, uma arrancada improvável, um grito organizando o time, em 2026, quando o jogo trava, o time parece aceitar, como se o empate não doesse, como se perder fosse apenas um detalhe estatístico.

    O torcedor percebe, e torcedor do Flamengo não é bobo, pode até apoiar 90 minutos, e apoia, mas sente quando o time entra morno, e nada irrita mais a Nação do que indiferença.

    Não é questão de esquema tático, não é 4-3-3 ou 4-4-2, é identidade, o Flamengo sempre foi intensidade, sempre foi imposição, sempre foi aquele clube que, quando está vivo, faz o adversário tremer antes mesmo do apito inicial.

    Em 2026, o adversário já não treme, ele estuda, ele espera, ele acredita que dá.

    E isso talvez seja o maior sinal de que algo se perdeu.

    O Flamengo de 2025 tinha falhas, claro, mas tinha alma, tinha aquele algo invisível que não aparece na tabela, mas muda campeonato, em 2026, parece que trocaram esse algo por um manual de instruções.

    E futebol, a gente sabe, não se joga só com manual.

    A pergunta que ecoa no Maracanã não é sobre reforço, não é sobre técnico, é sobre espírito.

    Porque quando o Flamengo joga com alma, ele pode até perder.
    Mas quando joga sem alma, ele deixa de ser Flamengo.

    E isso, para a Nação, é o que mais dói.

    Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada. 🔥

  • O torcedor do Flamengo é movido por duas coisas: memória recente e esperança eterna. E às vezes, as duas entram em conflito.

    Em 2025, o time parecia ter encontrado a fórmula. Havia intensidade, organização, confiança. O Flamengo jogava como Flamengo: pressionando alto, impondo ritmo, decidindo jogos sem precisar sofrer além da conta. Não era perfeito, mas era sólido e, principalmente, confiável.

    Aí veio 2026.

    O que antes era fluido ficou travado. O que era pressão virou atraso. O time que controlava jogos passou a ser controlado por adversários mais modestos. Aquele Flamengo que entrava em campo impondo respeito passou a gerar dúvida até no torcedor mais otimista.

    Não é só questão de resultado. É sensação.

    A torcida sente quando o time entra desligado. Sente quando a troca de passes fica lenta, quando a marcação chega sempre meio segundo atrasada, quando o gol parece mais difícil do que deveria ser. O Flamengo de 2026 não é um desastre, mas está longe de ser o Flamengo que acostumou a Nação a dominar os bate papos e resenhas.

    E é aí que entra o fantasma bom: 2025 virou referência.

    Todo jogo atual é comparado ao do ano passado.
    Todo empate vira “ano passado a gente ganhava”.
    Toda atuação morna vira “cadê aquele time?”

    Mas o flamenguista não vive só de crítica. Vive de expectativa.

    A confiança da arquibancada é que o bom futebol não desapareceu só está escondido. Que o elenco ainda é forte. Que a engrenagem pode voltar a encaixar. Que basta uma sequência boa, um clássico vencido, uma atuação convincente, para reacender o time e a torcida.

    Porque no Flamengo, fase ruim nunca é aceita como destino.
    É tratada como intervalo.

    A Nação pode reclamar, vaiar, cobrar… mas continua esperando o momento em que o time vai reencontrar o ritmo, a confiança e aquele futebol que fez de 2025 um ano de orgulho.

    No fundo, o flamenguista acredita numa coisa simples:
    o bom Flamengo não acabou, só está atrasado.

    E quando ele voltar, ninguém vai querer lembrar do inicio de 2026. Só dizer que foi um periodo do ano em que o time respirou fundo… antes de decolar de novo.

    Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

  • Se existe uma coisa que o Vasco da Gama não deixa faltar, é treinador. Falta estabilidade, falta sequência, falta paz… mas treinador, isso nunca faltou.

    Desde 2019, São Januário virou um verdadeiro aeroporto técnico. O sujeito chega falando em projeto, filosofia e reconstrução. Dá três coletivas, comanda alguns jogos, tropeça duas vezes e já começa a contagem regressiva. Quando percebe, nem terminou de decorar o elenco e já está assinando a rescisão.

    O Vasco virou aquele time que troca de técnico como quem troca de canal na TV: sempre achando que o próximo vai ser melhor. Não é reformulação. É rodízio.

    E futebol não funciona no modo “reiniciar”.

    Cada treinador que chega traz nova ideia, novo esquema, novos pedidos, nova comissão. Jogador precisa reaprender função, torcida precisa reaprender a ter esperança e o clube precisa reaprender a começar do zero. De novo. E de novo. E de novo.

    Como implantar um estilo de jogo sem tempo?
    Como cobrar evolução sem continuidade?
    Como exigir identidade se o comando muda antes da tinta secar no contrato?

    A verdade é simples e dura: com essa rotatividade, não tem como dar certo.

    Time vencedor se constrói com sequência. Projeto precisa de tempo. Convicção precisa resistir às fases ruins. O Vasco, nos últimos anos, viveu o contrário: ansiedade, troca constante e recomeços intermináveis.

    Na Colina, o problema nunca foi só quem entra.
    É principalmente quem nunca fica.

    E no futebol, quem recomeça demais… nunca chega.


    📋 Treinadores do Vasco (2019 → chegada de Fernando Diniz)

    2019

    • Alberto Valentim
    • Marcos Valadares (interino)
    • Vanderlei Luxemburgo

    2020

    • Vanderlei Luxemburgo
    • Abel Braga
    • Ramon Menezes
    • Alexandre Grasseli (interino)
    • Ricardo Sá Pinto

    2021

    • Vanderlei Luxemburgo
    • Marcelo Cabo
    • Lisca
    • Fernando Diniz
    • Fábio Cortez (interino)

    2022

    • Zé Ricardo
    • Emílio Faro (interino)
    • Maurício Souza
    • Emílio Faro (interino novamente)
    • Jorginho

    2023

    • Maurício Barbieri
    • William Batista (interino)
    • Ramón Díaz

    2024

    • Ramón Díaz
    • Rafael Paiva (interino)
    • Álvaro Pacheco
    • Rafael Paiva

    2025 (até a chegada de Diniz)

    • Rafael Paiva / comissão interina
    • Felipe Loureiro (interino)
    • Ramon Lima (interino)
    • Fernando Diniz
    • “Quem será?”

    Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

  • No futebol carioca, todo mundo gosta de falar de história, tradição, escritura, patrimônio público, prefeitura, governo, cartório… mas a verdade do presente é bem mais simples e dói em quem não gosta:

    Flamengo e Fluminense são os donos do Maracanã pelos próximos 18 anos.

    Sim, juridicamente é concessão.
    Sim, no papel é do Estado.
    Sim, dá pra discutir semântica até 2040.

    Mas no mundo real do futebol, aquele que decide calendário, receita, mando de campo, camarote, gramado, final, clássico e bilheteria, quem manda no Maracanã é a dupla Fla-Flu. Contrato longo, gestão na mão e rotina de quem entra pela porta da frente sem pedir autorização.

    É tipo aquele apartamento: pode até estar no nome do banco, mas quem mora, reforma, paga as contas e escolhe a cor da parede é o dono de fato.

    Enquanto isso, o Engenhão segue sendo a casa do Botafogo sob concessão, organizada, respeitável, com identidade. Nada a discutir aí.

    E o Vasco?

    O Vasco tem São Januário, patrimônio histórico, raiz, próprio, legítimo. Isso ninguém tira.
    Mas quando o assunto vira jogo grande, decisão, clássico que pede multidão, semifinal quente ou final valendo taça… curiosamente o destino costuma apontar para o mesmo lugar:

    Maracanã.

    E aí começa o ritual:

    nota oficial, reclamação, debate sobre divisão, discurso sobre justiça, memória, direito histórico…
    mas no fim, a bola rola onde?

    Pois é.

    No estádio cuja gestão está garantida por 18 anos nas mãos de Flamengo e Fluminense.

    No futebol, contrato longo é poder.
    Poder vira presença.
    Presença vira costume.
    E costume… vira dono.

    Pode chamar de concessão.
    Pode chamar de gestão.
    Pode chamar do que quiser.

    Mas até o prazo acabar, a realidade é uma só:

    O Maracanã tem síndicos fixos, moradores permanentes e fila de gente reclamando do portão.

    O resto, meu amigo, é só choradeira de rival.

    Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.

  • Tem jogador que constrói carreira longa. Tem jogador que constrói carreira gigante. E tem o Philippe Coutinho, que construiu uma carreira que parece uma montanha-russa: subida rápida, pico brilhante… e uma descida que deixou muita gente se perguntando se aquele auge foi real ou apenas um sonho coletivo do futebol.

    Revelado pelo Vasco como promessa precoce, Coutinho chegou à Europa ainda adolescente, no Inter de Milão, mais como projeto do que como realidade. Passou sem deixar grande marca, rodou pelo Espanyol, mostrou lampejos… mas nada que indicasse o que viria depois. O mundo ainda não sabia, mas o melhor capítulo da história estava sendo escrito para acontecer em Anfield.

    Foi no Liverpool que Philippe Coutinho virou Philippe Coutinho.

    Entre 2015 e o início de 2018, o brasileiro jogou o futebol da vida. Era o dono do time, o camisa 10 moderno, o meia que decidia jogo com um chute de fora da área que parecia ter GPS. Gol no ângulo virou rotina. Assistência improvável virou costume. Não era apenas bom: era protagonista. Na Premier League, uma das ligas mais duras do planeta, Coutinho era referência técnica, ídolo da torcida e peça central no crescimento do Liverpool de Klopp.

    Foi ali que nasceu o rótulo de craque.

    E foi ali também que nasceu a pergunta que hoje ecoa: quanto tempo durou esse auge?

    Se a gente for frio, bem frio, a resposta é curta: cerca de três temporadas em altíssimo nível. Talvez três anos e meio, esticando até a primeira metade de 2017/18, quando ainda jogava muito antes de sair para o Barcelona. Não é pouco, mas também não é o suficiente para colocar um jogador no panteão dos gigantes históricos.

    No Barcelona, a transferência bilionária virou peso. Coutinho nunca conseguiu ser o protagonista esperado. Teve bons momentos, alguns gols importantes, até uma Champions pelo Bayern no currículo durante empréstimo, ironicamente ajudando a afundar o próprio Barça numa goleada histórica. Mas o brilho constante… esse nunca voltou.

    Depois disso, a carreira virou uma sucessão de tentativas: Aston Villa, empréstimos, retorno ao Vasco, lampejos aqui e ali, mas nada parecido com aquele meia que parecia capaz de resolver qualquer jogo num chute.

    Coutinho não foi um fracasso. Longe disso. Jogou em gigantes, acumulou títulos, fez carreira internacional sólida e teve um auge que muitos jogadores jamais chegam perto de alcançar. Mas também não foi aquele super-craque geracional que domina uma década inteira.

    Talvez a melhor definição seja essa:
    Philippe Coutinho foi um craque de um momento muito especial do futebol.
    E às vezes, no futebol, um momento é suficiente para virar memória eterna.

    O problema é que, quando o momento passa rápido, sobra a pergunta e ela sempre volta:

    quanto tempo ele jogou em alto nível?

    A resposta pode variar conforme a paixão do torcedor. Mas a sensação é quase unânime: o auge foi intenso… só não foi longo.

    E no fim das contas, talvez seja isso que torne a história dele tão humana e tão discutida até hoje nas mesas de bar e nas arquibancadas.

    Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

  • O Flamengo avançou às semifinais do Campeonato Carioca ao vencer o Botafogo por 2 a 1, nas quartas de final, garantindo a vaga e mandando o rival para casa mais cedo e carregando a quinta derrota seguida.

    Mas quem esperava um clássico quente, daqueles que justificam a história do confronto, encontrou algo bem diferente: um jogo lento, travado e com cara de fim de tarde preguiçoso.

    Um clássico que parecia amistoso

    Desde o início, o duelo no Nilton Santos teve ritmo baixo. Poucas chances claras, muita troca lateral e erros técnicos que transformaram o clássico em uma partida burocrática. Os dois times até tentaram competir, mas faltou intensidade, criatividade e, principalmente, inspiração.

    O Flamengo saiu na frente com Lucas Paquetá, que abriu o placar e foi um dos poucos a dar alguma lucidez ao jogo. 
    O Botafogo chegou a reagir, mas sem pressão real, mais no empurrão do que na qualidade. No fim, o Rubro-Negro ainda ampliou e confirmou a vitória por 2 a 1, suficiente para selar a classificação. 

    Arquibancada vazia, clima morno

    Se dentro de campo o espetáculo foi fraco, nas arquibancadas o clima acompanhou. O público não empurrou como se espera de um clássico carioca decisivo. Faltou aquela atmosfera de decisão, o barulho, o peso, parecia mais um jogo protocolar do calendário do que uma eliminatória.

    E talvez não seja coincidência: os dois clubes tem compromissos importantes próximos e chegaram a poupar ou administrar elenco, o que naturalmente derruba o nível técnico e a intensidade. 

    Vitória que vale vaga e só

    Para o Flamengo, pouco importa se o jogo foi ruim: o objetivo foi cumprido. Em mata-mata, o que fica é a classificação.

    Já para o Botafogo, sobra a sensação de que faltou futebol justamente quando não podia faltar. Em um clássico sem brilho, quem teve um pouco mais de qualidade individual levou a vaga.

    No fim, foi um clássico que decidiu a classificação, mas não honrou o tamanho da rivalidade. Um jogo que cumpriu a função e só. Futebol mesmo, ficou devendo.

    Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

  • O Campeonato Brasileiro mal começa a esquentar o motor e a arquibancada já quer trocar o pneu, o piloto, o mecânico e, se bobear, o carro inteiro.

    Estamos nas primeiras rodadas de um campeonato que tem 38 jogos, atravessa calendário apertado, viagens longas, lesões, convocações, Copa no meio do caminho e já tem gente pedindo cabeça. Até quando isso faz sentido?

    A torcida do Fla mi mi mi, olha para Lucas Paquetá e cobra como se ele estivesse devendo três temporadas em três partidas. A do Vasco da Gama aponta o dedo para Philippe Coutinho como se o camisa 10 tivesse obrigação de decidir todo jogo sozinho, como nos melhores dias de Liverpool. E a do Cruzeiro já começa a olhar atravessado para Tite, técnico experiente, currículo pesado, como se três rodadas fossem sentença definitiva.

    E o pior: a demissão de Jorge Sampaoli com apenas três jogos disputados no Brasileirão. Três jogos, nem deu tempo de o time assimilar ideia, ajustar posicionamento, recuperar fisicamente os titulares. No Brasil, o trabalho começa pressionado e termina antes de começar.

    A pergunta que fica é: estamos analisando futebol ou consumindo resultado imediato?

    O Brasileiro não é tiro de 100 metros. É maratona. É campeonato que se decide na regularidade, na sequência, na maturidade do elenco. Quantos times começaram mal e terminaram brigando por título? Quantos arrancaram bem e desmancharam no segundo turno? A memória curta da arquibancada às vezes ignora o próprio passado recente.

    Cobrança faz parte. Futebol sem cobrança vira amistoso. Mas existe uma linha tênue entre exigir desempenho e sabotar processo.

    Paquetá precisa render? Claro. Coutinho tem que assumir protagonismo? Evidente. Tite tem que organizar o Cruzeiro? Sem dúvida. Mas isso se constrói com três rodadas? Ou com tempo, treino e sequência?

    A cultura do imediatismo transforma qualquer tropeço em crise institucional. O empate vira vexame. A derrota vira terra arrasada. O treinador vira descartável. E o ciclo recomeça, novo técnico, novo discurso, mesma ansiedade.

    Talvez o maior adversário do futebol brasileiro hoje não esteja do outro lado do campo. Está na impaciência crônica que corrói planejamento.

    Então eu pergunto:
    até quando vamos tratar um campeonato de 38 rodadas como se fosse mata-mata de 90 minutos?

    Até quando a terceira rodada vai parecer a última?

    E, principalmente:
    até quando vamos demitir ideias antes mesmo de elas terem chance de virar trabalho?

    Porque no Brasil, às vezes, o problema não é perder.
    É não ter tempo para tentar ganhar.


    Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

  • Hoje tem Clássico da Amizade. Pelo menos no nome. Porque quando a bola rola entre Vasco e Botafogo, a tal amizade costuma ficar sentada no banco, olhando de longe, esperando o apito final pra voltar.

    É um clássico diferente, não nasce do ódio escancarado, mas da convivência antiga, daquelas relações longas, cheias de respeito, mas também de competição silenciosa. Vasco e Botafogo se encaram como velhos conhecidos que sabem exatamente onde dói no outro.

    São dois clubes que carregam mais do que elencos: carregam identidade, o Vasco com sua história popular, de arquibancada cheia e memória de luta, o Botafogo com a elegância de quem já foi referência mundial e ainda vive tentando reencontrar o espelho. Quando se enfrentam, não é só jogo, é afirmação.

    Hoje, o campo vira palco para quem quer provar que o presente também importa, que tradição não joga sozinha, que camisa pesa, mas não corre. É dia de dividida forte, de olhar atravessado e de comemoração contida porque respeita, mas não perdoa.

    O Clássico da Amizade é assim, começa educado, mas esquenta rápido, a cada falta mais dura, a cada bola na trave, a amizade vai ficando teórica, e quando sai o gol… aí não tem abraço, tem desabafo.

    Para o torcedor, vale muito, vale sair na frente do vizinho, do colega de trabalho, do grupo do WhatsApp, vale provar que o time ainda está vivo, que ainda incomoda, que ainda sonha.

    Hoje tem Vasco x Botafogo, dois clubes históricos, duas torcidas que sabem sofrer, duas camisas que já viram o mundo e querem voltar a ser protagonistas.

    Amizade? Só depois do apito final.
    Antes disso, é clássico, e clássico se joga com o coração batendo mais forte.

    Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.

  • O futebol brasileiro não cansa de provar que memória curta é quase regra e coerência, exceção.

    A possível compra de John Arias pelo Palmeiras é mais um capítulo desse roteiro conhecido, mas nem por isso menos simbólico.

    Há apenas seis meses, Arias deixava o Fluminense em lágrimas, chorou no gramado, chorou na despedida, chorou no discurso, disse, com a voz embargada, que no Brasil só jogaria no Fluminense. Criou-se ali uma imagem forte: a do jogador identificado, grato, quase eterno. Um desses momentos que a torcida guarda como verdade absoluta.

    Mas o futebol não vive de promessas emocionais, vive de contratos, projetos esportivos e cifras. Seis meses depois, o mesmo Arias pode estar pintando de verde, vestindo a camisa do Palmeiras, um rival direto, competitivo, estruturado e sempre pronto para aproveitar oportunidades de mercado.

    Não se trata de julgar o jogador. A carreira é curta, as decisões são profissionais e o Palmeiras oferece vitrine, títulos e estabilidade. O problema é o choque entre discurso e realidade. Quando a emoção vira palavra pública, ela cria expectativa. E quando essa expectativa se rompe tão rápido, a frustração vem no mesmo ritmo.

    Para o Fluminense, fica a sensação de que o choro foi sincero naquele momento, mas momentâneo. Para o Palmeiras, chega um jogador pronto, decisivo e acostumado a jogos grandes. Para o futebol brasileiro, sobra a velha lição: juras de amor duram até a próxima proposta convincente.

    Arias não será o primeiro nem o último. O futebol gira, a bola corre e as camisas mudam. O que fica é a imagem: seis meses depois da promessa, o destino pode estar batendo à porta, agora em verde.

    E, desta vez, o Oscar sai das mãos dos Tricolores e pode acabar nas mãos do rival.

    Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

  • Flamengo voltou a decepcionar no início do Brasileirão Série A 2026. Na noite da segunda rodada, o Rubro-Negro ficou apenas no empate por 1 a 1 com o Internacional, no Maracanã, em um jogo marcado por cobrança da torcida, dificuldades ofensivas e mais um resultado abaixo do esperado.

    ⚽ Resumo do jogo

    O primeiro tempo foi truncado, com muita disputa no meio-campo e poucas chances claras. Mesmo jogando fora de casa, o Internacional foi mais objetivo e conseguiu sair na frente nos acréscimos da primeira etapa, aproveitando um contra-ataque rápido que pegou a defesa do Flamengo desorganizada.

    No segundo tempo, empurrado pela torcida, o Flamengo passou a ter mais posse de bola e presença no campo ofensivo. A pressão resultou em um pênalti, convertido com categoria por Arrascaeta, garantindo o empate e evitando uma derrota ainda mais indigesta no Maracanã.

    📊 Números da partida

    • Posse de bola: Flamengo 63% x 37% Internacional
    • Finalizações: Flamengo 14 x 9 Internacional
    • Finalizações no gol: Flamengo 5 x 4 Internacional
    • Escanteios: Flamengo 7 x 3 Internacional
    • Faltas cometidas: Flamengo 12 x 15 Internacional

    Os números mostram domínio territorial do Flamengo, mas também escancaram a dificuldade em transformar posse de bola em chances claras de gol.

    😠 Torcida impaciente

    Mesmo com o empate, o clima no Maracanã foi de insatisfação. Vaias foram ouvidas em vários momentos, principalmente pela lentidão na troca de passes e pela pouca criatividade no ataque. O time soma apenas um ponto em duas rodadas, um início que liga o sinal de alerta logo cedo na competição.

    🔎 O que fica do empate

    O Internacional sai do Rio satisfeito com o ponto conquistado fora de casa, enquanto o Flamengo deixa o campo pressionado, sabendo que precisa reagir rápido para não se distanciar dos primeiros colocados logo nas rodadas iniciais.

    O Brasileirão é longo, mas a paciência da arquibancada, essa, definitivamente, não é.


    Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.