Quando olhamos para os números recentes do Flamengo, uma coisa fica muito clara: o clube virou uma potência financeira que vai muito além do que acontece nas arquibancadas do Maracanã.
Nos últimos anos, o Flamengo bateu recordes de arrecadação no futebol brasileiro. Direitos de TV, premiações da Libertadores e do Brasileiro, patrocínios milionários, marketing, sócio-torcedor e, principalmente, venda de jogadores colocaram o clube em um patamar de receitas anuais na casa dos bilhões de reais.
Nesse contexto, a bilheteria, que sempre foi vista historicamente como uma das principais fontes de renda dos clubes, passou a ter um papel muito menor no orçamento total.
O tamanho real da bilheteria no Flamengo
Mesmo sendo o clube que mais arrecada com ingressos no Brasil, a receita anual com bilheteria representa algo próximo de 5 e 7 % da arrecadação total do Flamengo em um ano.
Isso é surpreendente.
Estamos falando de um clube que pode fazer R$ 3 milhões a R$ 5 milhões em uma única noite no Maracanã, mas que, no fechamento do balanço anual, vê esse valor virar uma fração quase simbólica perto de:
- Cot as de TV
- Premiações esportivas
- Patrocínios
- Transferências de atletas
- Receitas comerciais e de marketing
Ou seja: a bilheteria é relevante para o jogo, mas irrelevante para o orçamento anual.
E é exatamente aqui que surge a discussão que quase ninguém quer fazer.
Então por que o ingresso continua caro?
Se o ingresso não é determinante para o caixa do clube, por que os preços seguem altos, muitas vezes afastando o torcedor comum do estádio?
Hoje, o preço médio pago por torcedor em muitos jogos gira entre R$ 60 e R$ 90. Em clássicos ou Libertadores, pode passar disso com facilidade.
Para uma família de quatro pessoas, ir ao Maracanã pode custar:
- R$ 300 a R$ 500 só de ingresso
- Fora transporte, alimentação e outros gastos
Isso transforma o que deveria ser um programa popular em um evento caro e elitizado.
O impacto que a redução do preço poderia ter
Se o Flamengo decidisse reduzir o preço médio do ingresso em 20%, 30% ou até 40%, o impacto no orçamento anual seria praticamente imperceptível.
Mas o impacto nas arquibancadas seria gigantesco:
- Estádio mais cheio com mais frequência
- Retorno do torcedor popular
- Atmosfera ainda mais forte no Maracanã
- Maior engajamento da base da torcida
- Formação de novos torcedores (crianças e jovens que hoje não conseguem ir)
E mais: estádio cheio gera valor de marca, gera imagem, gera pressão no adversário, gera conteúdo para patrocinadores e fortalece o produto Flamengo.
Ou seja, o clube poderia trocar uma pequena perda financeira por ganho institucional, esportivo e social.
O Flamengo pode se dar a esse luxo
Poucos clubes no Brasil podem fazer essa discussão. O Flamengo pode.
Porque hoje o Flamengo não depende do ingresso para fechar as contas.
O clube tem musculatura financeira para enxergar o ingresso não como fonte de arrecadação, mas como:
ferramenta de aproximação com a torcida.
Ingresso mais barato não é prejuízo é investimento
Reduzir o preço do ingresso não deveria ser visto como abrir mão de receita.
Deveria ser visto como:
- Investimento na cultura de estádio
- Investimento na torcida
- Investimento na identidade popular do clube
- Investimento na experiência do torcedor
O Flamengo nasceu popular, cresceu popular e virou gigante com o povo nas arquibancadas.
Hoje, ironicamente, é justamente esse povo que encontra mais dificuldade para estar no estádio.
A pergunta que fica
Se a bilheteria pesa tão pouco no orçamento anual…
por que ainda pesa tanto no bolso do torcedor?
Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.
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