Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

  • O futebol tem dessas ironias que só ele sabe escrever. Em uma mesma noite, um jogador pode sair do anonimato para o aplauso e, poucos minutos depois, caminhar na corda bamba entre a admiração e a desconfiança da torcida.

    Foi exatamente isso que viveu Cauan Barros no empate eletrizante entre Vasco e Cruzeiro, no Mineirão.

    Revelado nas categorias de base do Vasco, o jovem volante sempre carregou o rótulo de promessa. Daqueles jogadores de pulmão cheio, que marcam, brigam por cada bola e ainda aparecem de surpresa na área adversária, contra o Cruzeiro, ele mostrou exatamente isso, em uma noite que parecia desenhada para a consagração, Cauan marcou dois gols, colocando o Vasco em vantagem e fazendo o torcedor cruz-maltino acreditar que dali sairia um herói improvável.

    Durante boa parte da partida, seu nome ecoava como o grande personagem do jogo, um volante que decide, que aparece no momento certo, que transforma esforço em gol.

    Mas o futebol, esse velho dramaturgo, gosta de virar o roteiro quando ninguém espera.

    No calor da partida, Cauan acabou se excedendo, uma entrada mais dura, daquelas que às vezes nascem da vontade exagerada de competir, acabou lhe rendendo o cartão vermelho, e de repente, o herói da noite deixou o campo mais cedo, com o Vasco tendo que se reorganizar com um jogador a menos.

    O empate final deixou no ar aquela sensação agridoce, de um lado, o brilho de quem marcou duas vezes e mostrou personalidade, do outro, a lição dura que o futebol costuma cobrar dos mais jovens: talento abre portas, mas maturidade mantém o time de pé.

    Cauan Barros saiu do Mineirão como o personagem mais contraditório da noite, quase herói, quase vilão.

    E talvez seja justamente nesses capítulos turbulentos que nascem os jogadores de verdade.

    Porque o futebol também é isso: aprender entre aplausos e erros, cair num lance e levantar no outro.

    E a história de Cauan Barros no Vasco ainda está só começando.

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  • O clássico no Engenhão mais uma vez terminou com festa rubro-negra, o Flamengo venceu o Botafogo na noite de ontem no estádio Nilton Santos e reforçou uma realidade que já começa a incomodar os alvinegros: o domínio recente do Rubro-Negro no confronto direto.

    Com autoridade, organização e aquele velho instinto de quem se acostumou a ganhar decisões e clássicos, o Flamengo controlou a partida e confirmou mais uma vitória sobre o rival carioca.

    Mas o número que realmente chama atenção vai além dos três pontos.

    Nos últimos 11 confrontos entre Flamengo e Botafogo, o Rubro-Negro venceu 10 vezes.

    Isso mesmo, dez vitórias em onze jogos, uma sequência que escancara a diferença de momento entre os dois clubes no clássico mais desigual do Rio nos últimos tempos.

    Enquanto o Flamengo segue competitivo, com elenco forte e acostumado a disputar títulos, o Botafogo mais uma vez viu o rival sair do Engenhão comemorando.

    E há um detalhe simbólico nisso tudo, vencer o Botafogo dentro do próprio Engenhão sempre tem um gosto especial para a torcida rubro-negra, o estádio que deveria ser território alvinegro virou, nos últimos anos, cenário frequente de celebrações do Flamengo.

    O clássico mostrou novamente aquilo que o torcedor já percebeu faz tempo, quando a bola rola entre Flamengo e Botafogo, a camisa rubro-negra pesa.

    E pesa muito.

    Se a história do futebol carioca é feita de rivalidade, a fase atual deixa claro que, no momento, o Flamengo escreve um capítulo de supremacia no confronto.

    Resta saber até quando o Botafogo vai permitir que essa escrita continue.

    Porque, no clássico carioca, perder uma vez dói.

    Perder dez em onze já vira capítulo de história.


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  • Além de sair do Z4, Vasco tira o Palmeiras da liderança do Campeonato Brasileiro e mostra que o futebol vive de histórias, e algumas parecem se arrastar por tempo demais, nos últimos anos, enfrentar o Palmeiras virou para o Vasco quase um teste de resistência psicológica, o adversário era forte, organizado, acostumado a vencer e havia um tabu que insistia em sobreviver a cada novo encontro.

    Mas tabus, no futebol, são feitos para cair.

    E caem, quase sempre, em noites como essa.

    O Vasco entrou em campo diferente, não era apenas um time tentando somar pontos na tabela, era uma equipe com a clara intenção de mudar uma narrativa que já incomodava demais a torcida, desde os primeiros minutos ficou evidente que os jogadores estavam dispostos a disputar cada palmo de gramado.

    Contra um Palmeiras acostumado a controlar jogos e impor seu ritmo, o Vasco respondeu com intensidade, coragem e personalidade, cada dividida parecia uma final, cada ataque carregava a esperança de uma arquibancada acostumada a sofrer, mas que nunca deixou de acreditar.

    E quando a vitória se confirmou, o sentimento foi maior do que simplesmente ganhar três pontos.

    Foi libertação.

    Tabus no futebol funcionam como fantasmas: quanto mais tempo passam, mais parecem impossíveis de derrotar, mas basta um jogo, uma noite inspirada, um time disposto a desafiar o destino e toda a história muda.

    Foi exatamente isso que o Vasco fez, comandado por Renato Gaucho.

    A vitória sobre o Palmeiras não entra apenas na estatística, ela entra na memória do torcedor, porque não foi apenas um resultado, foi o momento em que o Vasco lembrou a todos, e talvez a si mesmo, que sua camisa ainda carrega peso, tradição e capacidade de desafiar qualquer adversário.

    No futebol, a história nunca está escrita em pedra, e ontem a noite, o Vasco pegou a caneta.


    E você, torcedor: essa vitória pode marcar uma virada de momento para o Vasco na temporada?

    Comente e compartilhe.

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  • O futebol do Rio de Janeiro tem dono frequente, e mais uma vez ele veste vermelho e preto.

    Flamengo conquistou seu 40º título do Campeonato Carioca, ampliando ainda mais sua liderança histórica na competição e reafirmando uma hegemonia construída ao longo de décadas.

    Quarenta vezes não é acaso, é tradição, é peso de camisa, é torcida e, sobretudo, é história.

    Desde o início do século XX, o Flamengo transformou o estadual em um território onde a sua bandeira quase sempre tremula mais alto.

    Ao longo das gerações passaram ídolos que moldaram essa trajetória, de Zico aos craques das últimas décadas, todos ajudando a construir essa coleção impressionante de conquistas.

    O titulo numero quarenta tem também um significado simbólico, ele não é apenas mais uma taça na galeria da Gávea, ele marca a consolidação de um período recente em que o Flamengo se acostumou a disputar e vencer finais, o clube se tornou presença constante nas decisões, mantendo viva uma cultura de vitória que atravessa gerações.

    Como diria o grande cronista Nelson Rodrigues, “o Flamengo é um estado de espírito”. E quando esse estado de espírito se manifesta no Maracanã, a história costuma pender para o lado rubro-negro.

    Quarenta vezes campeão.
    Quarenta capítulos de uma mesma história.

    E para os rivais fica sempre a mesma pergunta que ecoa pelas arquibancadas do Rio:
    quem será capaz de alcançar o Flamengo no topo do futebol carioca?

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  • A final do Campeonato Mineiro entre Atlético Mineiro e Cruzeiro deveria ser uma vitrine do futebol de Minas Gerais. Um dos clássicos mais tradicionais do país, carregado de história, rivalidade e paixão.

    Mas o que se viu acabou sendo o oposto do que se espera de uma decisão.

    O clássico que tantas vezes produziu grandes jogos, ídolos e momentos memoráveis acabou marcado por um clima pesado, polêmicas e episódios que transformaram uma final estadual em motivo de constrangimento nacional, em vez de futebol, o espetáculo virou discussão, confusão e vergonha.

    É lamentável porque o futebol mineiro tem tradição demais para isso. Atlético e Cruzeiro são clubes gigantes, com títulos nacionais e continentais, responsáveis por capítulos importantes da história do futebol brasileiro, justamente por isso, quando o maior clássico do estado vira manchete negativa, o impacto é ainda maior.

    Final de campeonato deveria ser festa.
    Deveria ser lembrada pelos gols, pelas jogadas e pela emoção.

    Quando vira exemplo do que o futebol não deveria ser, perde o torcedor, perde o campeonato e perde o próprio futebol brasileiro.

    O clássico mineiro merece mais do que isso.

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  • Maracanã conhece bem esse roteiro, a arquibancada dividida, metade rubro-negra, metade tricolor, bandeiras tremulando e um clássico que parece sempre destinado a decidir alguma coisa importante.

    Mais uma vez, o Flamengo e o Fluminense chegam à final do Campeonato Carioca.

    E isso já não é novidade.

    Nos últimos 10 anos, o futebol do Rio de Janeiro praticamente teve dono. Ou melhor, dois donos.

    A hegemonia recente no Rio

    Se olharmos apenas para a última década, o domínio é claro:

    Finais disputadas (2016–2025)

    • Flamengo: 8 finais
    • Fluminense: 5 finais

    E o mais impressionante:

    Finais entre eles:

    • 5 decisões de Carioca foram Fla-Flu

    Últimas 10 finais do Campeonato Carioca

    • 2025 — Flamengo x Nova Iguaçu
    • 2024 — Flamengo x Nova Iguaçu
    • 2023 — Flamengo x Fluminense
    • 2022 — Flamengo x Fluminense
    • 2021 — Flamengo x Fluminense
    • 2020 — Flamengo x Fluminense
    • 2019 — Flamengo x Vasco
    • 2018 — Botafogo x Vasco
    • 2017 — Flamengo x Fluminense
    • 2016 — Vasco x Botafogo

    Presença nas finais (últimos 10 anos)

    • Flamengo: 8 finais 🔴⚫
    • Fluminense: 5 finais 🟢⚪
    • Vasco: 3 finais ⚫⚪
    • Botafogo: 2 finais ⚫⚪

    Finais entre Flamengo e Fluminense

    🔥 5 decisões foram Fla-Flu

    • 2017
    • 2020
    • 2021
    • 2022
    • 2023

    Ou seja, em boa parte dos últimos anos, o campeonato estadual terminou exatamente como manda a tradição do futebol carioca: com o clássico mais famoso do Brasil decidindo tudo.

    Enquanto isso, os outros grandes do estado ficaram correndo por fora.
    Vasco e o Botafogo até apareceram em algumas decisões, mas a sensação é clara:

    a rivalidade que realmente tem mandado no Rio ultimamente é Fla-Flu.

    Dois estilos, duas histórias

    Como diria Nelson Rodrigues, “No Fla-Flu até o silêncio da arquibancada é dramático.”

    De um lado, o Flamengo que se acostumou a levantar taças e viver fases de grande investimento e elencos estrelados.

    Do outro, o Fluminense que, nos últimos anos, encontrou uma identidade forte, futebol ofensivo e também voltou a brigar por títulos importantes.

    Quando os dois se encontram numa final, o jogo nunca é só um jogo.
    É orgulho, história e provocação para o resto do ano.

    Porque Fla-Flu não termina no apito final.
    Ele continua nos bares, nas redes sociais, nas resenhas e nas arquibancadas.

    O clássico eterno

    O Rio de Janeiro pode mudar, os elencos podem trocar, os técnicos podem ir e vir.

    Mas algumas coisas permanecem.

    E uma delas é essa:
    quando Flamengo e Fluminense chegam juntos na final, o Maracanã vira palco de um espetáculo que atravessa gerações.

    Agora, mais uma vez, a cidade para.

    E fica a pergunta inevitável para as arquibancadas:

    quem você acha que leva a melhor hoje?

  • No futebol carioca, algumas conquistas fazem o estádio tremer, entram para a história e viram orgulho eterno, outras… bem, dependem muito do contexto.

    A recente conquista da Taça Rio pelo Botafogo levantou um debate inevitável entre torcedores: é para comemorar mesmo ou é melhor dar aquela comemorada discreta?

    O que é a Taça Rio

    Taça Rio é o segundo turno do Campeonato Carioca.
    Durante muitos anos, quem ganhava a Taça Rio enfrentava o vencedor da Taça Guanabara para decidir o estadual.

    Ou seja: em determinados formatos do campeonato, ganhar a Taça Rio podia levar à final do Carioca e consequentemente ao Título Estadual.

    Mas o regulamento mudou ao longo dos anos.

    Hoje, em algumas edições, a Taça Rio virou basicamente um torneio paralelo disputado pelos clubes que ficaram fora das semifinais do Campeonato Carioca.

    Traduzindo:
    é uma espécie de “campeonato dos que não chegaram na fase principal”.

    Quem já ganhou a Taça Rio

    Como é apenas um turno do estadual (ou um torneio secundário dentro dele), muitos clubes já conquistaram a Taça Rio, incluindo:

    • Flamengo
    • Vasco
    • Fluminense
    • Botafogo
    • e até clubes menores do Rio.

    Ou seja, não é exatamente um troféu raro ou histórico.

    Campeões da Taça Rio no formato recente

    • 2026 — Botafogo
    • 2025 — Sampaio Corrêa-RJ
    • 2024 — Botafogo
    • 2023 — Botafogo
    • 2022 — Resende
    • 2021 — Vasco da Gama

    O prestígio real

    No passado, quando o formato do Carioca colocava Guanabara x Taça Rio decidindo o título estadual, o troféu tinha algum peso competitivo.

    Hoje, porém, a realidade é outra.

    Na prática, a Taça Rio virou mais:

    • um prêmio de consolação, ou
    • um torneio secundário dentro do estadual.

    Nada que mude a história de um clube grande.

    Então… comemora ou não?

    Claro que torcida comemora qualquer taça, o futebol também vive de zoação e rivalidade.

    Mas convenhamos:

    Ganhar Libertadores muda a história.
    Ganhar Brasileiro entra para a galeria.
    Ganhar Copa do Brasil pesa.

    Agora…

    Taça Rio?

    Talvez seja aquele tipo de título que a torcida comemora no dia…
    e no dia seguinte volta ao assunto sério do futebol.


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  • No Flamengo, quando as coisas dão errado, quase sempre sobra para o lado mais fraco da corda, e desta vez não foi diferente, a demissão de Filipe Luís não tem cheiro de planejamento, de análise fria ou de projeto de futebol, tem cheiro de covardia.

    Filipe Luís não era apenas mais um treinador tentando a sorte no banco do Flamengo, era um dos maiores laterais da história recente do clube, um jogador que ajudou a construir momentos importantes e que sempre demonstrou inteligência de jogo, liderança e identificação com o rubro-negro, mas no Flamengo atual, história e identidade parecem valer menos que o ego de quem manda.

    A verdade incômoda é que faltou coragem à diretoria para sustentar um trabalho que ainda estava em construção, e quando falta coragem, sobra autoritarismo.

    É aí que entra o presidente BAP.

    BAP conduz o clube como se fosse um palco particular, tudo gira em torno de sua vontade, de sua visão, de sua necessidade de mostrar poder, no futebol, porém, gestão baseada em ego quase sempre termina mal, e quando o dirigente se coloca acima do clube, quem paga a conta é o próprio Flamengo.

    A saída de Filipe Luís não parece ter sido fruto de uma análise profunda de desempenho, mas sim de uma decisão política, daquelas que servem mais para demonstrar autoridade do que para resolver problemas.

    Demitir um técnico jovem, identificado com o clube e ainda no começo de um processo é o caminho mais fácil, é a solução rápida que costuma agradar quem quer mostrar ação imediata, mas facilidade e coragem são coisas bem diferentes.

    Coragem seria assumir erros da própria gestão.
    Coragem seria proteger um projeto.
    Coragem seria blindar quem está tentando trabalhar.

    O que vimos foi o contrário.

    Ao mandar Filipe Luís embora dessa maneira, a diretoria do Flamengo não demonstrou força, demonstrou medo de assumir responsabilidades, demonstrou pressa em encontrar um culpado.

    E no meio disso tudo fica uma pergunta que ecoa na arquibancada:

    Se até um ídolo com história no clube pode ser descartado assim, quem realmente está protegido no Flamengo de hoje?

    Porque quando o ego fala mais alto que o futebol, o clube sempre sai menor.

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  • Numa tarde de domingo em que o coração dos torcedores cariocas bate mais rápido, Fluminense e Vasco voltam a se encontrar no Maracanã pela semifinal do Campeonato Carioca de 2026. Depois de um primeiro confronto em que o Tricolor das Laranjeiras venceu por 1 a 0, com aquele perfume de clássico e drama que só um clássico carioca tem, a bola vai rolar às 18h buscando não só o gol, mas também o destino na final estadual. 

    O clima é de tensão e expectativa por parte das duas torcidas. O Fluminense, embalado pela conquista na ida, carrega o peso de manter a vantagem e escrever mais um capítulo feliz na sua história recente. Do outro lado, o Vasco tenta espantar um tabu que faz eco no Carioca: há anos não vence o rival no estadual, e hoje precisa de um resultado de maior margem para virar a chave e ir à final com seus próprios fantasmas e glórias a perseguirem cada passo. 

    No campo, a narrativa se desenrola entre toques precisos, desafetos antigos e aquela chama que só o clássico proporciona. Cada corrida pela lateral, cada passe interceptado e cada chute na direção do gol pode virar motivo de festa ou suspiro de ansiedade. No banco, os técnicos medem forças buscando não só tática, mas também o momento certo de mexer na alma do jogo.

    Enquanto o relógio gira e o destino vai sendo desenhado, a memória dos confrontos ecoa nas arquibancadas: Vasco e Fluminense protagonizaram centenas de clássicos ao longo das décadas, com momentos de glória, viradas dramáticas e rivalidade que não se mede apenas em estatísticas, mas em paixão. 

    No histórico mais amplo entre os dois, considerando jogos por várias competições ao longo dos anos o Vasco tem mais vitórias gerais, com vantagem sobre o Fluminense, que por sua vez tem seus momentos marcantes e conquistas inesquecíveis contra o rival. 

    No fim, seja no grito da arquibancada ou no silêncio após o apito final, o que fica é a crônica viva de um clássico que é parte da própria alma do futebol carioca.

    E assim termina mais um capítulo dessa rivalidade que atravessa décadas. Porque quando Fluminense e Vasco se enfrentam, não é só mais um jogo: é história sendo reescrita, é orgulho em disputa, é a cidade dividida por 90 minutos e reconciliada pela paixão ao apito final.

    Que venham os próximos capítulos, com drama, provocação e muita bola na rede. Porque clássico carioca nunca decepciona.

    Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

  • Tem derrota que dói.
    Tem derrota que revolta.
    E tem derrota que escancara a falta de futuro.

    A queda para o Santos não foi apenas mais três pontos perdidos, foi um retrato cruel de um Vasco sem direção, sem confiança e, pior, sem perspectiva, o time entrou em campo carregando o peso da tabela e saiu esmagado pela própria incapacidade de reagir.

    O gol sofrido não foi surpresa, surpresa seria ver reação organizada, surpresa seria enxergar padrão, intensidade, alguma ideia clara de jogo, mas o que se viu foi um time espaçado, nervoso, previsível. Um Vasco que parece jogar sempre à beira do desespero.

    O Santos fez o básico, e o básico bastou.

    O problema não é apenas a derrota, é o cenário, cada rodada passa e o Vasco não mostra evolução. Troca peça, muda discurso, mas o roteiro se repete, erros defensivos, meio-campo que não sustenta, ataque que depende de lampejo isolado.

    E quando a confiança acaba, o futebol evapora.

    A tabela do Brasileirão não perdoa time instável, ela empurra, pressiona e agora o Vasco olha para baixo e vê o abismo se aproximando, não é drama de torcedor pessimista, é matemática fria.

    A torcida, que sempre foi o combustível do clube, começa a demonstrar cansaço, não falta apoio. Falta esperança, e talvez esse seja o ponto mais dolorido: o sentimento de que não há um projeto claro, uma reconstrução visível, um sinal concreto de que dias melhores estão sendo preparados.

    Perder para o Santos poderia ser apenas um tropeço mas, neste contexto, soa como sintoma.

    O Vasco hoje não transmite segurança, não transmite reação, transmite incerteza.

    E no Campeonato Brasileiro, time que vive de incerteza costuma viver na parte de baixo da tabela.

    A pergunta que ecoa em São Januário não é mais “quando vamos engrenar?”.
    É “para onde estamos indo?”.

    Sem resposta, o medo cresce.
    Sem perspectiva, o afundamento parece inevitável.

    O Vasco não perdeu só um jogo.
    Perdeu a sensação de futuro.

    E isso pesa mais do que qualquer placar.

    Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.