O governo do estado do Rio de Janeiro apresentou o projeto de lei complementar nº 40/2025, que inclui o Complexo do Maracanã entre 62 imóveis do Estado que poderão ser vendidos com o objetivo de gerar receitas e reduzir custos de manutenção.
O argumento oficial aponta que muitos imóveis estatais estariam subutilizados ou gerando despesas elevadas.
A listagem aprovada em comissão incluiu o estádio, a “Aldeia Maracanã” (antigo Museu do Índio) e outras dependências do complexo.
Por que o Maracanã chamaria atenção de compradores?
- É um símbolo do futebol e da cultura brasileira, com história internacional (inaugurado em 1950, diversas finais, etc).
- Avaliações preliminares apontam valor de mercado estimado em torno de R$ 2 bilhões ou mais para o complexo — o que o torna um ativo relevante para investidores.
- A lógica de privatização ou alienação de patrimônios públicos — comum em regimes de ajuste fiscal — está em curso, motivada pelo regime de recuperação fiscal que o Estado enfrenta.
Será que já há interessados?
Sim — algumas movimentações apontam para isso:
- O Flamengo manifestou internamente “ver com bons olhos” a possibilidade de compra do Maracanã, segundo relato de reunião na Alerj.
- Como se vê, há interesse político e institucional no tema, inclusive com articulações no meio legislativo.
- Contudo, não há até o momento anúncio formal de processo de venda, edital ou comprador fechado. O projeto ainda depende de votação em plenário e sanção.
Principais desafios e questões a observar
- Legalidade: Especialistas apontam que vender o Maracanã — um imóvel de uso público de grande relevância — pode esbarrar em restrições legais ou constitucionais.
- Concessão em curso: O estádio já está sob concessão junto a Flamengo e Fluminense.
- A transferência para venda privada exigiria tratar esse contrato existente.
- Conservação e custo de manutenção: O próprio governo destaca que os custos são elevados e que isso motiva a venda — mas para quem adquirir, o desafio de manutenção e de gerar receita será real.
- Valor simbólico e social: Por ser “o templo” do futebol no Brasil, a venda acarreta riscos de desgaste político, reação popular, e decisões que vão além da lógica estritamente econômica.
- Procedimento e transparência: Será fundamental que haja laudo de avaliação profissional (o projeto menciona que o preço mínimo será baseado em laudo) e que a venda seja transparente para evitar disputas futuras.
Conclusão: há comprador? Provavelmente — mas ainda longe de fechamento
Sim, há potencial comprador ou interessados (como o Flamengo), e existe demanda política para que o ativo seja alienado. Por outro lado, há muitos passos ainda: aprovação legislativa, sanção, definição do modelo de venda, definição de quem assume os contratos e obrigações, avaliação adequada, etc.
Em resumo: o projeto está vivo, o ativo está em discussão, mas a narrativa “Maracanã vendido” ainda não se concretizou. Vale acompanhar os próximos capítulos: votação no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), eventuais editais ou manifestação formal de interesse.
Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.