Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

No futebol brasileiro, existe uma pergunta que quase nunca é feita em voz alta. Talvez porque a resposta incomode muita gente.

E se o Wesley fosse o Neymar Jr.?

Nos últimos dias, o jovem lateral de apenas 22 anos viu o sonho de disputar uma Copa do Mundo ser interrompido por uma lesão. Doeu nele, doeu na família, doeu em quem acompanha sua trajetória. Afinal, vestir a camisa da Seleção é o ápice para qualquer jogador.

Mas a discussão vai além da dor de uma convocação perdida.

A pergunta que fica no ar é simples: se o nome na lista fosse Neymar Jr., ele seria cortado da mesma forma?

Segundo informações divulgadas pelo departamento médico do Santos, Neymar convive com um edema muscular que já se aproxima dos 30 dias. Um quadro que exige cautela, acompanhamento e, principalmente, tempo de recuperação. Ainda assim, sempre que o assunto envolve Neymar, o discurso costuma ser diferente. Fala-se em esperar até o último momento. Em dar mais alguns dias. Em tentar uma recuperação acelerada. Em manter a esperança.

Com Wesley, a decisão foi rápida.

Não se trata de dizer que houve injustiça. A Seleção precisa de atletas aptos a jogar. O ponto é outro: será que todos recebem o mesmo tratamento quando o assunto é uma vaga na equipe nacional?

O futebol sempre teve seus intocáveis. Pelé teve. Zico teve. Romário teve. Ronaldo teve. Neymar também tem. Jogadores capazes de mudar um jogo carregam um peso diferente nas decisões. Isso acontece no Brasil, na Argentina, na França e em qualquer lugar do mundo.

Mas também é verdade que o futebol é cheio de jovens talentos que precisam provar todos os dias aquilo que os craques consagrados provaram há anos.

Wesley perdeu uma oportunidade gigantesca. Neymar, quando saudável, continua sendo um dos maiores talentos que o Brasil produziu neste século. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo.

A provocação, portanto, não é contra Neymar. É contra a velha regra não escrita do futebol: alguns precisam estar 100% para jogar, enquanto outros podem viver eternamente dos 90%.

Talvez Wesley fosse cortado de qualquer maneira. Talvez Neymar também fosse. Talvez os médicos tomassem exatamente a mesma decisão.

Mas enquanto o debate existir, a pergunta continuará ecoando entre torcedores, jornalistas e boleiros de arquibancada:

Se o Wesley fosse o Neymar Jr., ele teria sido cortado?

Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.

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