Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

O torcedor brasileiro terminou a noite satisfeito com a vitória por 3 a 0 sobre o Haiti. Afinal, vencer em Copa do Mundo nunca é obrigação, é dever cumprido. E o Brasil fez sua parte, principalmente nos primeiros 45 minutos.

A seleção entrou ligada, intensa e com fome de bola. A movimentação ofensiva funcionou, os espaços apareceram e o Haiti teve enormes dificuldades para conter a pressão verde e amarela. Foi um primeiro tempo que lembrou aquilo que o torcedor gosta de ver: posse de bola com objetividade, troca rápida de passes e agressividade na hora de atacar.

O resultado parcial poderia até ter sido mais elástico. O Brasil dominou as ações, controlou o meio-campo e praticamente não deu chances ao adversário. Parecia que a equipe havia encontrado o caminho ideal para transformar favoritismo em futebol.

Mas o segundo tempo contou outra história.

Com a vantagem construída, o ritmo caiu. O time diminuiu a intensidade, passou a circular a bola sem a mesma velocidade e permitiu que o Haiti encontrasse algum espaço para respirar na partida. A sensação era de que a seleção administrava o resultado muito antes do apito final.

É verdade que o placar jamais esteve ameaçado. O Haiti mostrou limitações técnicas e não teve força suficiente para transformar a queda de rendimento brasileira em perigo real. Ainda assim, ficou a impressão de que o Brasil poderia ter mantido a pressão e aproveitado a oportunidade para ganhar ainda mais confiança.

Em torneios longos, esse tipo de comportamento merece atenção. Contra adversários mais fortes, desligar por 45 minutos pode custar caro. A Copa do Mundo costuma ser implacável com equipes que acreditam que o jogo está resolvido antes da hora.

No fim das contas, o saldo é positivo. Vitória convincente, três pontos na conta e uma atuação que mostrou qual é o melhor caminho para a seleção. O desafio agora é simples: jogar o segundo tempo com a mesma fome que mostrou no primeiro.

Porque quando o Brasil acelera, encanta. Quando administra cedo demais, apenas passa pelo jogo.

Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.

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