Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

No Brasil, o tempo não passa igual para todo mundo.
Ele é mais cruel com quem já foi eterno.

Porque eterno, meu amigo… é só enquanto a memória aguenta.

E aqui estão dois fantasmas ainda vivos,
o Santos de Pelé
e o Botafogo de Garrincha

Dois templos, dois deuses, dois passados que ainda respiram… mas ofegantes

O peso da história

Teve um tempo em que o Santos parava guerras.
E não é metáfora, é história.

Teve um tempo em que o Botafogo era seleção brasileira com uniforme de clube.
Garrincha, Nilton Santos, Didi… aquilo não era time, era patrimônio da humanidade.

Só que o futebol mudou.
Virou planilha, virou juros, virou boleto.

E aí começa a crônica de hoje:

👉 Quem cai primeiro?
👉 Quem não aguenta mais carregar o próprio passado?

Santos: o rei que ainda respira… com aparelhos

O Santos hoje vive uma contradição cruel.

De um lado, a camisa mais pesada do Brasil, quando se fala de história.
Do outro, um caixa que vive no sufoco.

  • Dívida próxima de R$ 1,5 bilhão
  • Mais de R$ 470 milhões vencendo em curto prazo
  • Déficit recorrente, mesmo com aumento de receitas

E tem mais:
até o passado virou dívida.

  • O clube deve cerca de R$ 90 milhões ligados ao Neymar

O Santos tenta reagir, reduziu dívidas caras, reorganizar parte do fluxo
Mas ainda vive aquela sensação de quem arruma a casa… com a água entrando pela porta.

É um clube em “recuperação”.
Mas ainda longe de estar salvo.

Botafogo: o abismo olhando de volta

Se o Santos está na UTI…

O Botafogo já assinou os papéis.

  • Dívida total próxima de R$ 2,7 bilhões
  • R$ 1,6 bilhão vencendo em curto prazo
  • Patrimônio líquido negativo (ou seja: deve mais do que tem)
  • Prejuízo anual pesado

E ainda:

  • Mais de R$ 1,1 bilhão só em dívidas com credores diversos

O clube virou SAF, trouxe investidor, sonhou alto…
mas o custo desse sonho virou avalanche.

Hoje, o Botafogo não luta só contra adversários.

Luta contra a matemática.

A pergunta que ninguém quer responder

Então chegamos na parte mais dura.

Não é sobre quem foi maior.
Isso já está escrito.

É sobre quem consegue continuar existindo sem vender a alma.

O Santos, mesmo endividado, ainda tem:

  • Marca global
  • Base forte
  • Capacidade de gerar receita com história

O Botafogo, hoje, depende:

  • De capital externo
  • De reestruturação profunda
  • De decisões que ainda não provaram sustentabilidade

Quem acaba primeiro?

Se for olhar friamente…

👉 O Botafogo está mais perto do colapso financeiro estrutural
👉 O Santos está mais perto do sufoco controlado

Mas o futebol não é planilha.

O Botafogo pode renascer com um aporte.
O Santos pode afundar com uma má gestão.

Porque clube não acaba quando fecha as portas.

Clube acaba quando deixa de ser relevante.

Talvez a pergunta esteja errada.

Talvez não seja:
“Quem vai acabar primeiro?”

Mas sim:

👉 Quem vai conseguir honrar o próprio passado?

Porque no fundo…
nem o Botafogo de Garrincha
nem o Santos de Pelé podem falir de verdade.

Eles só podem morrer de esquecimento.

E isso, no Brasil,
é mais cruel que qualquer dívida.

Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.

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