Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

No Fluminense, o palco foi armado. Luzes acesas, promessas vendidas, cifras cada vez mais altas e uma pergunta que ecoa das Laranjeiras ao Maracanã: quanto custa sustentar o espetáculo?

Depois da conquista histórica da Libertadores em 2023, o Tricolor decidiu que não bastava apenas sonhar, era hora de investir pesado para tentar permanecer entre os protagonistas. O problema é que, no futebol, nem todo ingresso caro garante apresentação de gala.

Os gastos do Fluminense com contratações (2023 até agora)

2023

  • Guga — R$ 9 milhões
  • Keno — R$ 5,3 milhões
  • Lima — R$ 3 milhões
  • Leo Fernández (empréstimo) — R$ 3,3 milhões
  • Vitor Mendes (empréstimo) — R$ 1 milhão
  • Lelê (empréstimo) — R$ 500 mil

Total aproximado 2023: R$ 22 milhões


2024

  • Antônio Carlos — sem custo relevante
  • Gabriel Pires — sem custo
  • Douglas Costa — livre
  • Renato Augusto — livre

Total 2024: investimento reduzido em taxas de transferência, foco maior em salários e oportunidades de mercado.


2025

  • Canobbio — R$ 37 milhões
  • Soteldo — R$ 33,3 milhões
  • Santiago Moreno — R$ 32 milhões
  • Rubén Lezcano — R$ 29,2 milhões
  • Hércules — R$ 29 milhões
  • Lucho Acosta — R$ 24 milhões
  • Freytes — R$ 13,5 milhões
  • Otávio — R$ 8,6 milhões
  • Everaldo — R$ 1,2 milhão

Total aproximado 2025: R$ 207,8 milhões


Cerca de R$ 230 milhões investidos em reforços

Soma geral desde 2023:


Valeu o espetáculo?

Essa é a grande questão.

O Fluminense saiu de um modelo quase artesanal de montagem de elenco para uma postura agressiva de mercado. Em 2023, venceu com inteligência, experiência e custo relativamente baixo. Já em 2025, mergulhou em cifras de SAF sem necessariamente ter o caixa de uma SAF.

O risco é claro: quando o show custa caro demais, a bilheteria precisa responder.

Se os reforços entregarem títulos, protagonismo e vendas futuras, o investimento pode parecer genial. Mas se o retorno for apenas aplauso passageiro e eliminações precoces, a conta chega e chega pesada.

No futebol moderno, contratar virou produzir espetáculo.
Mas espetáculo sem resultado vira apenas ilusão cara.

E no fim, a pergunta permanece:

Quanto vale o show quando a conta pode comprometer o futuro?

Por Cercado de Traíras FC — a voz da arquibancada.

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