Tem jogador que entra em campo, e tem jogador que entra no assunto.
A convocação de Neymar nunca é só futebol, nunca é apenas desempenho, minutagem, intensidade ou sequência de jogos. Quando o nome dele aparece na lista, o país para, os programas esportivos explodem, as redes sociais viram guerra civil e aí nasce a pergunta que muita gente evita fazer:
Quem foi convocado? O jogador… ou o Neymídia?
Porque o Neymar jogador, aquele do drible impossível, da arrancada, da genialidade, esse ninguém discute. O auge dele foi coisa de extraterrestre. Um talento que o futebol brasileiro produz uma vez a cada geração. O problema é que faz tempo que o debate deixou de ser apenas técnico.
Hoje existe uma entidade paralela chamada “Neymídia”.
O Neymídia não precisa jogar 90 minutos, não precisa estar voando fisicamente, não precisa ter sequência, basta existir, basta treinar dois dias seguidos que já aparece manchete dizendo que “o craque está de volta”. Basta tocar na bola em treino fechado que viraliza vídeo com música épica.
Enquanto isso, outros jogadores precisam correr o dobro, jogar o triplo e provar toda semana que merecem estar ali.
E não é perseguição ao Neymar, não, é justamente o tamanho dele que criou isso, o nome virou produto, a audiência, engajamento, patrocínio, clique, debate, dinheiro.
A Seleção Brasileira parece, muitas vezes, refém dessa novela eterna.
Porque quando o Neymar está fora, o assunto é Neymar, quando está machucado, o assunto é Neymar, quando volta, o assunto é Neymar, e quando joga mal… adivinha? O assunto continua sendo Neymar.
A pergunta que fica é dura:
a convocação foi baseada no futebol apresentado… ou no peso midiático que nenhum outro brasileiro possui hoje?
Talvez o mais injusto nisso tudo seja com a própria Seleção, porque o Brasil deveria ser maior que qualquer personagem, maior que qualquer marca, maior que qualquer roteiro pronto para audiência.
Só que o futebol moderno transformou camisa amarelinha em plataforma de entretenimento.
E aí o torcedor fica dividido:
de um lado, a esperança de ver o gênio renascer.
Do outro, a sensação de que a discussão virou mais marketing do que bola.
No fim, o brasileiro não quer convocação de influencer.
Quer convocação de jogador.
E isso vale até para o próprio Neymar.
Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.
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