A bola ainda nem rolou, mas a competição já entrou em campo cercada por um clima que nada tem a ver com futebol. A chamada “Copa da Vergonha” nasce sob a sombra de controles migratórios rigorosos, relatos de constrangimentos em aeroportos e a sensação de que atletas, árbitros, jornalistas e torcedores estão sendo tratados como suspeitos antes mesmo de serem recebidos como convidados.
O futebol sempre vendeu a ideia de unir povos, derrubar fronteiras e aproximar culturas. A FIFA gosta de repetir esse discurso em cada cerimônia, em cada campanha publicitária e em cada pronunciamento oficial. Mas, na prática, o que se vê é uma entidade silenciosa diante de situações que colocam em xeque justamente esses valores.
Relatos de longas entrevistas, revistas rigorosas e exigências burocráticas transformaram a chegada de muitos participantes em uma experiência desgastante. Para quem sonhou a vida inteira em representar seu país dentro de campo ou apitar uma competição internacional, a recepção tem sido tudo menos acolhedora.
É claro que todo país tem o direito de controlar suas fronteiras e garantir sua segurança. O problema surge quando o equilíbrio desaparece e a mensagem transmitida ao mundo é a de desconfiança generalizada. O esporte deveria ser uma ponte. Em muitos casos, está parecendo um muro.
A FIFA, por sua vez, parece mais preocupada com contratos, patrocínios e direitos de transmissão do que com a experiência humana de quem faz o espetáculo acontecer. O silêncio institucional diante das críticas acaba sendo interpretado por muitos como conivência. Afinal, se a entidade se apresenta como guardiã do futebol mundial, espera-se que também defenda a dignidade de seus participantes.
O resultado é um torneio que corre o risco de ficar marcado não pelos gols, pelas defesas ou pelos grandes jogos, mas pelas polêmicas fora das quatro linhas. Uma competição que deveria celebrar o encontro dos povos começa sendo lembrada pelas barreiras impostas entre eles.
A bola vai rolar. Os craques estarão em campo. Os estádios, com os preços de ingressos astronômicos, quem sabe, estarão cheios. Mas a pergunta permanecerá no ar: vale tudo em nome do espetáculo?
Porque quando atletas e árbitros precisam enfrentar constrangimentos para participar de uma festa feitas por eles, que são do futebol, talvez o problema não esteja no gramado. Talvez esteja na organização da própria festa.
Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.
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