Final de Copa do Mundo não se joga apenas com talento, joga-se com coragem e foi justamente isso que faltou à Argentina.
Durante toda a competição, os argentinos mostraram um futebol intenso, competitivo e agressivo. Eliminavam adversários pressionando, atacando e impondo seu ritmo. Mas, na decisão, resolveram abandonar tudo aquilo que os levou até a final.
Desde os primeiros minutos, a Argentina entregou a posse de bola para a Espanha. Recuou suas linhas, aceitou correr atrás do adversário e apostou que um contra-ataque resolveria a partida. Era um convite para sofrer.
E a Espanha aceitou o presente.
Com seu tradicional toque de bola, paciência e movimentação, os espanhóis dominaram o meio-campo. Rodavam a bola de um lado para o outro, obrigando a Argentina a correr sem parar. Quando um time passa quase todo o jogo defendendo, o desgaste físico e mental cobra a conta.
A cada minuto ficava mais claro que o gol espanhol era apenas uma questão de tempo.
Enquanto a Espanha jogava para ser campeã, a Argentina parecia jogar para não perder.
O futebol costuma castigar quem troca a ambição pelo medo. E castigou.
Quando o gol espanhol finalmente saiu, não havia injustiça. Era apenas a consequência de uma escolha equivocada. A seleção que passou noventa minutos esperando o relógio andar acabou vendo a taça escapar justamente porque abriu mão de disputar o jogo.
A Espanha conquista o mundo com méritos. Foi fiel à sua identidade do primeiro ao último minuto da Copa. Não mudou seu estilo por causa do peso da decisão. Continuou propondo o jogo, controlando a posse e acreditando em sua forma de jogar.
Já a Argentina deixa os Estados Unidos, México e Canadá com uma dura lição: em uma final de Copa do Mundo, o maior erro não é atacar e perder. O maior erro é ter medo de vencer, e se acovardar.
A taça não foi arrancada das mãos da Argentina.
Ela foi entregue.
Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.
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