Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

Final de Copa do Mundo não se joga apenas com talento, joga-se com coragem e foi justamente isso que faltou à Argentina.

Durante toda a competição, os argentinos mostraram um futebol intenso, competitivo e agressivo. Eliminavam adversários pressionando, atacando e impondo seu ritmo. Mas, na decisão, resolveram abandonar tudo aquilo que os levou até a final.

Desde os primeiros minutos, a Argentina entregou a posse de bola para a Espanha. Recuou suas linhas, aceitou correr atrás do adversário e apostou que um contra-ataque resolveria a partida. Era um convite para sofrer.

E a Espanha aceitou o presente.

Com seu tradicional toque de bola, paciência e movimentação, os espanhóis dominaram o meio-campo. Rodavam a bola de um lado para o outro, obrigando a Argentina a correr sem parar. Quando um time passa quase todo o jogo defendendo, o desgaste físico e mental cobra a conta.

A cada minuto ficava mais claro que o gol espanhol era apenas uma questão de tempo.

Enquanto a Espanha jogava para ser campeã, a Argentina parecia jogar para não perder.

O futebol costuma castigar quem troca a ambição pelo medo. E castigou.

Quando o gol espanhol finalmente saiu, não havia injustiça. Era apenas a consequência de uma escolha equivocada. A seleção que passou noventa minutos esperando o relógio andar acabou vendo a taça escapar justamente porque abriu mão de disputar o jogo.

A Espanha conquista o mundo com méritos. Foi fiel à sua identidade do primeiro ao último minuto da Copa. Não mudou seu estilo por causa do peso da decisão. Continuou propondo o jogo, controlando a posse e acreditando em sua forma de jogar.

Já a Argentina deixa os Estados Unidos, México e Canadá com uma dura lição: em uma final de Copa do Mundo, o maior erro não é atacar e perder. O maior erro é ter medo de vencer, e se acovardar.

A taça não foi arrancada das mãos da Argentina.

Ela foi entregue.

Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.

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