A América do Sul sempre se orgulhou de produzir seleções que jogam para vencer. Brasil, Uruguai, Colômbia, Chile, Paraguai… cada um com seu estilo, mas todos carregando a marca da coragem, da técnica e da vontade de atacar.
O continente que revelou Pelé, Garrincha, Zico, Maradona, Romário, Ronaldo, Messi e tantos outros sempre vendeu ao mundo um futebol de personalidade. Por isso, foi lamentável ver a Argentina entrar em uma final de Copa do Mundo mais preocupada em destruir o jogo do que em construir uma vitória.
Durante boa parte da decisão, a seleção argentina abriu mão de jogar futebol. Preferiu gastar tempo, esfriar a partida, provocar, cercar o árbitro e transformar cada disputa de bola em uma batalha.
E, quando a bola começou a escapar, apareceu o lado mais feio da equipe.
Paredes, Simeone e Enzo Fernández foram símbolos de uma Argentina violenta, nervosa e incapaz de aceitar a superioridade espanhola. Em vez de responder com futebol, responderam com entradas duras, empurrões, provocações e uma agressividade que ultrapassou o limite da disputa normal.
Paredes parecia entrar em campo com uma missão clara: parar qualquer jogada, com ou sem bola. Simeone transformou intensidade em violência, confundindo raça com deslealdade. Já Enzo Fernández, jogador de enorme qualidade técnica, preferiu participar do tumulto, reclamar e bater mais do que criar.
Os três representaram o descontrole de uma seleção que percebeu que não conseguiria vencer jogando.
É preciso deixar claro: futebol sul-americano nunca foi sinônimo de covardia ou violência. Raça não é dar pontapé. Garra não é atingir o adversário depois que a bola já passou. Malandragem não é tentar intimidar quem está jogando melhor.
Defender faz parte do futebol. Todo campeão sabe sofrer. Mas existe uma enorme diferença entre competir com firmeza e transformar uma final em uma sequência de faltas, discussões e ameaças.
Uma seleção do tamanho da Argentina não pode se esconder atrás da violência.
A camisa pesa demais para isso. A história exige mais.
A Espanha fez o que se espera de um campeão: insistiu, trabalhou a bola, manteve a cabeça no lugar e buscou o gol até o fim. Não caiu nas provocações e não abandonou sua maneira de jogar.
A Argentina, ao contrário, parecia satisfeita em levar a decisão para qualquer lugar onde a bola rolasse o mínimo possível.
Perder uma final faz parte do esporte. O que não pode ser aceito é perder sem tentar vencer e ainda apelar para a violência quando percebe que o adversário é superior.
No fim, a taça ficou com quem quis jogar futebol.
E a vergonha ficou com uma Argentina que, representada pela violência de Paredes, Simeone e Enzo Fernández, manchou a imagem do futebol sul-americano diante do mundo.
A América do Sul pode até ser derrotada por uma seleção melhor. O que jamais pode aceitar é ser representada por um time que troca talento por pontapé, coragem por provocação e futebol por violência.
Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.
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