Cercado de Trairas FC

Um blog de futebol pra quem não engole papo de dirigente nem discurso bonito de coletiva, aqui é bola, dinheiro e verdade sem filtro, sem firula e com opinião de arquibancada, escrito por Murilo Marcelli, um torcedor que fala o que o povo pensa e não tem medo de cutucar cartola, clube ou federação.

Ontem o Flamengo viveu mais um daqueles momentos que misturam beleza e frustração, daqueles que ficam na lembrança, mas deixam um gosto agridoce na boca de quem vestiu vermelho e preto e também de quem acompanha o time apaixonadamente.

No Clássico dos Milhões, realizado no Maracanã, o Flamengo parecia ter escrito um capítulo perfeito da história. Dominou as ações desde cedo, abriu o placar com Pedro, logo aos oito minutos, e ampliou com Jorginho, de pênalti, na etapa final. Por um bom tempo, a torcida já ensaiava o canto da vitória e o sonho de encostar ainda mais no líder da Série A do Campeonato Brasileiro

Mas o futebol é mesmo imprevisível. O Vasco, com raça e insistência, foi buscar o jogo nos minutos finais: Robert Renan diminuiu e, já nos acréscimos, Hugo Moura empatou com um cabeceio no canto 2 a 2. Um golpe que corta, sobretudo porque vinha de uma vantagem que parecia segura até os 84 minutos. 

Depois do apito final, as vozes no vestiário rubro-negro foram de frustração. O técnico Leonardo Jardim não poupou sinceridade, disse que o time “entregou o jogo ao adversário”, deixando de pressionar, ganhar duelos e permitindo muitos cruzamentos que culminaram nos gols do Vasco. 

Pedro, autor do primeiro gol, resumiu bem o sentimento coletivo: “tínhamos o jogo controlado, dominávamos, mas permitimos que o adversário pressionasse e o clássico foi decidido nos detalhes”. 

E assim ficou: um empate que não mexeu na liderança do Brasileiro, deixou o Flamengo na vice-liderança, e prolongou aquela sensação de que a vitória estava ali, ao alcance das mãos, mas escapou nos instantes finais. 

Foi uma crônica de dois tempos: um de esperança, outro de decepção. Um filme que já vimos muitas vezes e que, com certeza, vai ecoar nas conversas de bar, nas cadeiras do Maracanã e no torcedor que ainda acredita que o próximo capítulo será diferente.

Derrota do Flu no Sul

E quando a noite já caminhava para o fim no Beira-Rio, um outro capítulo se escrevia no mesmo domingo que deixou o torcedor rubro-negro ainda a digerir o empate do Flamengo. Lá no sul, o Fluminense saiu de campo com um silêncio pesado, não o silêncio de quem viu “o quase”, mas de quem viu a chance escapar sem sequer soar um alerta de perigo real. 

O Tricolor, que vinha embalado na tabela e sonhando com a vice-liderança, encarou o Internacional e saiu derrotado por 2 a 0. Os gols um de Bernabei no fim do primeiro tempo e outro de Alerrandro logo no início da segunda etapa, foram como dois lances de faca fria num confronto que o Fluminense controlou em posse, mas não em profundidade. 

O técnico Zubeldía tentou variar, escalando o time com três zagueiros como se buscasse mais equilíbrio, talvez até segurança demais. O problema foi que, sem criatividade e com decisões defensivas equivocadas, o time acabou irreconhecível em momentos-chave. 

E mais do que o placar, são as histórias dentro do jogo que martelam na cabeça: linhas estagnadas no meio, ataques sem brilho, erros individuais que abriram portas para o adversário capitalizar. Falhas que não só custaram o resultado, mas também aumentaram a tensão em um momento já delicado da temporada, principalmente antes de uma decisão importante na Libertadores

O Inter, por sua vez, encontrou um alívio. Depois de um período pressionado na tabela, a vitória colocou o Colorado em uma zona mais confortável, fora da ameaça do rebaixamento e com fôlego no Brasileirão. 

Para o Fluminense, ficou mais que um resultado negativo: ficou a sensação de oportunidade perdida. Perder uma chance de encostar na liderança é duríssimo. Perder com um time que não empolga, ainda mais. E assim, quando a noite terminou no sul, encerrava-se também um domingo em que a paixão pelos gigantes cariocas teve um sabor agridoce, em um estádio, um empate que poderia ter sido vitória; no outro, uma derrota que podia ser aviso.

Por Cercado de Traíras FC, a voz da arquibancada.

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